O legado da esquerda brasileira


A esquerda brasileira orbita o PT. Sempre orbitou. Aqueles que ousaram confrontar o partido da estrela vermelha foram relegados ao ostracismo e à insignificância. Poucos resistiram ao ímpeto dominador do PT – e de Lula.

Ciro Gomes talvez seja um dos poucos nomes da ala canhota no Brasil que conseguiram se manter com certo destaque mesmo contra a vontade do capo. Marina Silva, Heloísa Helena e outros sucumbiram ante o poderio político e a truculência praticada pelo PT.

Cabe lembrar o episódio da candidatura de Marina Silva, opondo-se a Dilma Rousseff e criticando Lula por sua participação no escândalo de corrupção utilizado na campanha de 2014. Não faltaram ofensas, xingamentos e acusações por parte da turma do “ódio do bem”. Mas, mesmo depois de avacalhada por petistas, Marina Silva volta a orbitar Lula, ainda que relegada a segundo plano.

Essa mesma esquerda se alçou sob o manto da defesa da ética na política, da honestidade e, sobretudo, pela defesa daqueles presos às camadas mais baixas de nossa desigual sociedade. Nem preciso repetir que nada disso prosperou nas práticas dos governos petistas.

Os integrantes da chamada “esquerda”, então, ao invés de promoverem um mínimo questionamento daquilo que um pujante e opressor PT realizava, submeteram-se ao jugo de gente como José Dirceu, Lula, Jacques Wagner, Rui Costa, Gleisi Hoffmann, dentre outros “coronéis” de alto escalão do partido. Como era de se esperar, não colheram muitos frutos. Pelo contrário, ficaram relegados a pautas estridentes e menos relevantes, como defesa de minorias e legalização de drogas.

O resultado, claro, é o inevitável vínculo de toda a ala mais à esquerda da política brasileira com o PT, partido dominante. Acabaram sendo inevitavelmente associados às bandalheiras promovidas pelos dirigentes mais ousados e, digamos, menos criteriosos que vicejaram a partir de 2002.

Com isso, o que se vê é uma esquerda fragilizada, órfã e dependente do que ditam os dirigentes petistas. O que se imaginava ser uma esquerda que se oporia aos excessos de quem domina o capital – como acontece na maior parte do mundo civilizado, resume-se, hoje, a um arremedo de “esquerda”, com gente histérica, estridente, barulhenta, mas carente de soluções práticas para os enormes e cada vez mais preocupantes problemas que afligem os cidadãos.

Se q esquerda brasileira quiser ter futuro, precisará urgentemente se reinventar, abandonando o cabresto petista e encontrando um caminho próprio para trilhar, sob o risco de não deixar nada como legado.


Uma resposta para “O legado da esquerda brasileira”

  1. Eu diria que a esquerda não orbita o Partido dos Trapaceiros, mas sim o Molusco … é este o único elemento, o personagem, que traz esta “união” da esquerda e é dele, do Sapo Barbudo, que vem o proceder e a estratégia que esta malta tem praticado. A esquerda pode até não se reinventar, o eleitorado brasileiro tem idiotas suficientes para eleger os candidatos de esquerda dentro das estratégias que já praticam, mas com certeza precisam de outro “ídolo”, pq este que aí está e sempre esteve está com idade avançada e o tempo é implacável. O relógio biológico imbatível, então o tempo joga contra a esquerda… foi o que houve na URSS quando o Bigodão assumiu … saiu o Careca do Mal e o Bigodão entrou. Foi ficando pela força, eliminando todos que pudessem substituí-lo e não fez um sucessor. Virou uma bagunça e caiu por si. Isto é que a esquerda ainda não conseguiu resolver ainda. Tomara que não tenha tempo.

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