O aprendizado da paternidade


Não sou pai. Nunca quis a responsabilidade da paternidade. Mas tenho duas sobrinhas e dá para ter uma noção da árdua tarefa que é criar filhos. Ainda mais em tempos atuais, onde o vitimismo e os excessivos controles e interferências governamentais atrapalham ainda mais um desafio que, por si só, é gigante.

Em conversa com o pai das pimpolhas, discutimos justamente esse aspecto do desafio de “ser pai”. As agruras e dificuldades de lidar com adolescentes, com suas idiossincrasias, suas teimosias, suas explosões de sentimentos e, claro, todas as certezas que eles têm, sobretudo sobre o que mal conhecem.

Ao expor a ele essa minha opinião, de não querer a responsabilidade de criar um ser humano, ouvi uma resposta que me deu o que pensar. Mas, primeiro, é bom explicar que não tem nada errado em qualquer opinião, seja de querer ter filhos ou não. É algo muito pessoal e cada um tem suas razões para escolher o caminho que desejar.

Relatando sua jornada de pai, ressaltou que é um papel difícil, trabalhoso e caro. Lidar com crianças e, agora, adolescentes, é uma provação constante, como provam seus cabelos brancos. O casal, aliás, teve filhos um tanto tarde, lá pelos 40 anos, e foi esse o mote da conversa.

Explicava ele, refletindo sobre o assunto, que há uma lógica na prática mais antiga de pais gerarem seus filhos mais cedo, digamos lá pelos 25 anos, pois isso permitia um aprendizado, um amadurecimento, que seriam mais úteis aos pais. A explicação é que, promover a criação dos filhos, os pais têm possibilidade de perceber aqueles mesmas mancadas que faziam, quando adolescentes, entendendo o comportamento de seus filhos a partir da visão de quem já passou por aquilo, de modo muito parecido, na maioria das vezes.

Porém, ao fazê-lo quando mais novo – aos 25 e não aos 40, os pais têm, também, a oportunidade de refletir sobre si mesmos, sobre o que fizeram, como fizeram, porque fizeram… E, por óbvio, passar por esse processo mais cedo é melhor, dando chance para adquirir novos hábitos e tentar caminhos diferentes.

Se eu voltasse no tempo, teria essa pulga na minha orelha para resolver.


2 respostas para “O aprendizado da paternidade”

  1. “Se eu voltasse no tempo, teria essa pulga na minha orelha para resolver” você disse. mas vou te dizer que enquanto você não tiver filhos não vai resolver certas pendências QUE SÓ TENDO FILHOS SE RESOLVEM. eu tive aos 45 e o sergio, 51. agora estamos com 48 e quase 54 (capricorniano, sergio faz aniversário em janeiro) e posso te dizer que nossa vida se resume a ANTES & DEPOIS do pedro. ponto. sem mais, porque eu me lembro que quando eu ainda não tinha filho achava esse papo um saco, então não quero replicar o comportamento das pessoas que eu achava que “se achavam, só porque tinham botado um ser humano no mundo”. não é só mais um ser humano no mundo. é um “piá”, que em tupi-guarani significa “pedaço do meu coração que anda”. puta merda, só quem tem filho é quem entende essa frase.

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