
O mapa acima (acessível aqui) apresenta, de forma ilustrativa, o cenário das eleições municipais de 2024. Na escala da Folha, em vermelho os partidos mais da dita “esquerda”, em azul os de “centro” e em amarelo os da tal “direita”.
O que interessa perceber é que a esquerda brasileira minguou muito. Outrora poderosa em prefeituras, sobretudo nos rincões brasileiros, viu seu poder se desmilinguir.
Cabe a ressalva de que a “esquerda” brasileira está inevitavelmente associada ao PT, o grande partido desse espectro, que se impôs como hegemônico e controlou a narrativa canhota desde os anos 80, sem deixar espaço para outra voz, exceto se for como mero satélite.
Alguns fatores levaram a esse cenário de derrota, notadamente a associação com falcatruas, dada a repercussão de casos como o Mensalão e o Petrolão, que macularam a imagem do lado esquerdo dessa régua ideológica.
Mas, sobretudo, é a falta de entrega. As promessas sempre feitas de “proteger o trabalhador” ou de “lutar pelo povo” se mostraram vazias, pois nada disso se concretizou. Aliás, pelo contrário, as seguidas crises econômicas geradas pela incompetência e pela falta de compromisso com a seriedade dos mandatários esquerdistas geraram, ao cidadão, a percepção de que a aposta foi ruim.
A tal “direita”, por sua vez, que tinha suas fichas num destrambelhado Bolsonaro, precisa encontrar um representante para capitanear a nova empreitada de 2026, cujo sucesso pode levar a novos ares em terras tupiniquins.
Até lá, entretanto, quem vai se dando bem é o tal “Centrão”. Ou seja, os partidos fisiológicos, que se bandeiam para onde o vento soprar melhor. Onde se lê “vento”, entenda-se dinheiro, seja por cargos ocupados por apaniguados, seja por verbas, seja por propina mesmo.
Partidos como o MDB, PSD, PP, Podemos, dentre outros, cujos quadros estão repletos de gente acostumada a estar na máquina burocrática, sempre a mando de algum cacique, visando criar a “reserva de mercado” para essas legendas.
Embora o cenário de hegemonia do centro não seja muito agradável por aqui, dada a falta de caráter e de lisura de nossos representantes políticos, ainda é menos ruim que a hipótese de um comando na mão da ala canhota que, além de igualmente picareta, ainda primam pela enorme incompetência e afastamento do mundo real – como já percebeu o próprio PT.
A torcida, agora, é para que a dita “direita” se entenda para 2026. As chances são grandes.