Um eterno atraso


Uma deficiência crônica

Não é de hoje que o agronegócio brasileiro tem sido a salvação da paróquia para a economia nacional, apesar das reiteradas críticas – em geral, infundadas, de que o sucesso se dá às custas de um dano ambiental.

Quando batemos o nível histórico de 300mi de toneladas de grãos, 40% disso (120mi!!) não terão espaço de armazenagem. Significa dizer que uma safra do tamanho da Argentina ficará “estocada” em caminhões, sem armazém nem secador nem estrutura, resultando em queda de qualidade e preço do frete explodindo.

O cenário brasileiro vem piorando desde 2000, quando ainda havia silos para guardar todas as safras de um ano. Segundo dados da Conab, desde 2010 a produção de grãos aumentou 82% – de 149 milhões de toneladas para 271 milhões em 2022, e podendo chegar a 310 milhões neste ano – mas a capacidade de armazenamento cresceu apenas 35%, de 136 milhões de toneladas para 183 milhões. É possível, então, pela primeira vez, que a estrutura de silos do país não seja suficiente nem para a safra de verão, de cerca de 188 milhões de toneladas – contando apenas os principais produtos, como soja, arroz e milho.

Para piorar, o atual governo, para não variar, quer meter ainda mais o bedelho no assunto e tornar o problema ainda maior, pois querem retomar a compra de produtos pela Conab para formar estoques públicos e regular o mercado, sendo que os armazéns da Conab representam cerca de 1% da capacidade estática instalada no país. A “solução” petista mantém o modelo de 85% da armazenagem hoje disponível, não inova em nada e ainda envolve dinheiro público comprando produção num momento e vendendo em outro.

A abordagem necessária passaria pela ampliação da armazenagem nas fazendas ao invés de indústrias e cooperativas, que têm acesso facilitado a linhas de financiamento, pois bancos preferem centralizar o dinheiro num grande tomador a fazer a pulverização.

Parece que a velha síndrome de dependência estatal se manifesta numa seara que é capaz de se virar sozinha. Ao se meter de um modo inadequado, o governo não só traz péssimas soluções como fomenta essa dependência deveras danosa. Para não variar…


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *